Obrigada, Lina (Bo Bardi). 17 de Dezembro de 2015, 13:56

Por Michele Merlucci

Brasileira, paulistana, nascida e crescida na Pompéia e hoje moradora do Alto da Lapa.
Expus todo o currículo para contextualizar meu cenário de vida.

Quando pequena o passeio preferido do meu pai era nos levar ao SESC POMPÉIA, que é um centro de cultura e lazer na zona oeste de São Paulo, localizado na Pompéia (bairro em que cresci, lembram?). O SESC POMPÉIA tem um grande espaço para exposições, teatro, choperia, oficinas, piscina e quadras esportivas, além de ser um dos projetos arquitetônicos mais lindos e intrigantes.

Eu e meu irmão escolhíamos um livro da biblioteca e líamos numa tarde, sentadinhos ao lado de desconhecidos. O outro passeio era visitar as obras expostas. E por fim, correr pela rua central, pelos coletores de água e claro, pular de um lado para outro do laguinho de pedrinhas.

Aquelas linhas não eram comuns. Nos meus olhos de criança, aquele lugar era mágico.

Cresci, e entendi que havia mais do que magia. Havia um projeto idealizado e executado por uma artista. Uma leitura semiótica da realidade, uma associação de pragmatismo com sonho e utopia que sempre acreditou na possibilidade de construção de espaços de convivência, associando simplicidade com sofisticação.

Italiana, nascida e crescida em Roma e Milão, arquiteta posteriormente naturalizada brasileira e moradora da Casa de Vidro no Morumbi. Lina Bo Bardi.

Além das obras de arquitetura, Lina produziu para o teatro/cinema, artes plásticas, cenografia e realizou curadoria para exposições.

Suas obras acreditam no potencial popular de criação e dão voz para que isso aconteça.
Espaços “feios e inacabados” que convidam a serem construídos e reconstruídos. 
Espaços pensados para que as pessoas convivam.
Espaços fechados com córregos de água que desenham formatos inesperados.

Cresci com Lina. Emocionei-me com as exposições mais lindas. Viajei nas mesmas páginas que outras crianças, adultos e idosos viajaram. Torci o pé tentando pular o lago desenhado por ela. Senti na pele os shows mais deliciosos. Tive as melhores risadas nas peças de teatro porque via o rosto das outras pessoas assistindo também. Aprendi a compartilhar. Vejo o simples e acho lindo. O inacabado para mim é perfeito.

Fontes e Imagens: http://www.archdaily.com.br/br/01-153205/classicos-da-arquitetura-sesc-pompeia-slash-lina-bo-bardi - *A arquitetura política de Lina Bo Bardi